SUGESTÃO DE TÍTULO
Re-emergências das solidariedades nos processos econômicos
associativos periurbanos: memória e educação.
Paulo Peixoto de
Albuquerque
Valter Morigi
Aline Alberto, Cristina Ramires, Dirceia Fajardo, Eloisa, Francesco, Graziela Santos, Gilson Luiz do Anjos, Janaina Marques Silva , João Carlos, Juliana S. dos Santos, Luis Paulo Arena Alves, Mara Welter, Maria do
Carmo Vargas, Michele, Patrícia, Simone.
A título de boas vindas: a lógica da "presença
ausente" ou de que a "não presença não significa ausência". O
seminário - Re- emergência das solidariedades nos processos econômicos
associativos periurbanos: memória e educação - insinuou que a inserção de
temas contemporâneos – emergência de processos aparentemente insignificantes da
vida cotidiana e do fazer produtivo - não pode ser realizada numa concepção
meramente "bancária" de educação.
A participação em cursos de complementação sejam
eles de pós-graduação ou especialização requer metodologias inovadoras,
participativas, especialmente porque a
maioria dos temas contemporâneos já estão divulgados nos meios de
comunicação e de alguma forma são analisados na mídia.
A proposta de refletir sobre – Re-emergência das
solidariedades nos processos econômicos associativos periurbanos: memória e
educação associativa – tornou-se viável quando a proposta encontrou a
disponibilidade de um grupo que busca o diálogo entre educadores e educandos,
ou antes, entre os conhecimentos/saberes existentes no grupo para cotejá-los
com aqueles conhecimentos ditos científicos e/ou os conhecimentos de senso
comum.
A escolha da sala de aula como lugar privilegiado
para a discussão é/será o artifício técnico para reduzir a distância
epistemológica entre esses conhecimentos. Entre os recortes disciplinares
(plurais) dos participantes e o tensionamento proposto pelas leituras que foram
propostas. Nelas existem continuidades e rupturas: o olhar especial proposto
pelos autores pode nos ajudar a definir quais serão os conceitos fundamentais
da teoria, e os temas de interesse de cada um, por sua vez, podem contribuir
para eleger a metodologia apropriada como, por exemplo, a construção deste
texto coletivo.
O ambiente virtual – um blog criado para o
seminário – agregou as ferramentas de comunicação e interação on-line, sendo
este um dos mecanismos de mediação que deu a proposta, a dinâmica necessária
para que discentes e docentes conciliassem seus tempos/horários e incrementassem
ações paralelas que servissem de auxilio para a compreensão da teoria.
Além de ler textos e interpretá-los o que se
pretende é mostrar que esta ferramenta mediadora do blog possibilitou construir
uma linguagem comum e coletiva e de constante diálogo problematizador.
O que conferiu alguma singularidade ao grupo e a
proposta de trabalho é o fato dela se desenvolver partindo do princípio de que
o desenvolvimento de um processo reflexivo é determinado pelas ações mútuas
entre o indivíduo e o meio (alguns, assim como LEV
SEMINOVITCH VYGOTSKY (1896/1934) chamam isso de construtivismo social). Paulo /Valter
Partindo de reflexões geradas no
decorrer do seminário em aulas presenciais, bate papos nos corredores e com a
contribuição e construção do blog foi se
desenrolando algumas ideias sobre os processos de aprendizagem qualificados
pela vivência e avaliados como instigadores de futuras pesquisas.(JU)
Dessa forma, da sala de aula até a porta de saída
do prédio existe um tempo e um espaço onde os discursos afloram. Pode-se
chamá-los de “discursos de corredor”. Não sei por que isso acontece, (mas
acontece): eles surgem com clareza e com verdades absolutas. Neles sabe-se
exatamente o que se quer e se busca, seja ao falar de projetos ou de
referenciais e teorias.
Isso talvez aconteça porque as mentes se liberam
dos bloqueios impostos pelo formato do ambiente formal que perdura das escolas
às universidades. E se isso é verdadeiro, também é verdade que os espaços de
aprendizagem precisam ser repensados, ou re-inventados para permitir a fruição
da linguagem e da mente. Partindo desse pressuposto, analisar e entender a
construção do conhecimento que se dá nas ruas e nos espaços não formais de
educação é elemento fundante de pesquisa para essa reinvenção.
Pegando o exemplo da aprendizagem da língua
estrangeira, ao adentrar-se em uma comunidade periurbana, onde as dificuldades
e carências são evidentes, educadores se deparam com uma realidade distanciada
das suas e pouco fértil para criar o desejo nos educandos em aprender uma nova
língua. As técnicas e os meios de ensino não estimulam o querer e não
justificam sua existência. Por outro lado, para os alunos a forma é desconexa
da realidade vivida.
Porém, fora da sala, se um indivíduo atentar-se e
prestar atenção nas conversas, certamente se ouvirá diálogos do tipo:
- E aí brother? Vamos comer um hot dog?
- Bah,
never!! Tô sem money.
- Sem problems…I have.
Isso mostra que, para além de um
conjunto de regras gramaticais e de palavras a serem memorizadas, existe um
“corredor” usado como meio de aprendizagem e de troca de um sistema de códigos
linguísticos, os quais dominam e dos quais se utilizam como instrumento para
interagirem com o mundo. (Pat)
Quando este “corredor” está sendo
utilizado como um meio, para que a aprendizagem se estabeleça, esta-se dizendo
que o espaço da sala de aula não é a única possibilidade de interação com os
saberes ou signos, pois existem inúmeras maneiras e sistemas, onde a troca pode
ser efetiva.
Os espaços periurbanos aparecem
como fronteiras entre a cultura urbana e rural, quando na verdade já foram
derrubadas. A linha que separa as civilizações do mundo moderno é muito tênue.
O acesso à informação não privilegia somente àqueles que detêm o capital,
poucos não sabem o que seja hot dog ou money.
É preciso reinventar não apenas
novas formas de ensino-aprendizagem, mas uma nova forma de ver o Homem. Ter um
novo olhar significa desmistificá-lo, conseguir enxergá-lo por inteiro, sem
preconceitos e sem barreiras. Reinventar é lembrar e por em prática relações
horizontais, onde as diversas singularidades constroem uma rica pluralidade de
identidades e de saberes. Re-inventar é superar o possível!
A nova sociedade requer que além
de saber conviver com as diferenças, saiba-se compartilhar conhecimento/saber
com quem quer que seja, independentemente do espaço social. (MC)
Todavia, a educação permanece
como a velha barreira dos bancos escolares que há séculos nos persegue, é preciso
parar e ter um novo olhar. Assim, nos depararemos com espaços onde a
aprendizagem não somente da língua estrangeira, mas da geografia, da matemática
e tantas outras disciplinas já são ensinadas e aprendidas através da
convivência com outros integrantes da sociedade, que não necessariamente sejam
educadores.
Ter um novo olhar significa
desprender-se dos velhos moldes que a nossa memória insiste em ficar atada para
se conseguir então, dar um passo a frente para re-inventar velhas e novas
formas de aprender que perpassam por outras práticas não formais de
“ensinagem”.
Contudo, para se permitir enxergar
novas formas de aprender, precisa-se primeiramente analisar os processos
solidários que permeiam as comunidades, coooperativas e tantos outros espaços
de economia solidária. Espaços esses, onde as pessoas por terem um objetivo
maior e coletivo, se ensinam uns aos outros, fortalecem e respeitam o potencial
de cada um e o envolvimento e motivação que faltam nas salas de aulas já ocorre
nesses espaços ditos (in)visíveis.
Vive-se um tempo de re-emergência
onde há um grande distanciamento da teoria e do empirismo. A escola insiste em
teorizar, avaliar, ditar o certo ou o errado segundo as diferentes
epistemologias, enquanto que nos espaços periurbanos o que ocorre são vivências
de aprendizagem, são artefatos que foram apreendidos na práxis, são avaliações
de vidas e não de estudos científicos. (JU)
Nesses espaços, essas vivências
vêm de diferentes formas: através da educação informal, da educação de jovens e
adultos, da educação popular e também da educação formal. Cada uma com suas
características próprias, mas com o objetivo comum de transformar os sujeitos
em atores sociais, econômicos e culturais.
Por mais contundente que seja a
crítica com o formato da escola hoje, com o distanciamento desta com a vida
real que está para além dos muros escolares, ainda assim não se pode negá-la.
Ela existe e está na comunidade, e é nela que muitos irão buscar a
possibilidade de mudança de seu status quo, embora de lá evadam sem nenhuma
bagagem cultural. (Pat)
A grande transformação necessária
nesses novos tempos pode ser utópica, porém uma alternativa seria apanhar a
sabedoria encontrada nas ruas e levá-la às escolas, para que assim ocorra um
diálogo mais válido na educação, um diálogo onde memórias e vivências se unam
aos estudos teóricos, para então se falar em processos de ensino aprendizagem
com propriedade. (Ju)
Outra, seria re-conhecer os
espaços constituídos na comunidade enquanto lugar de apoderamento e de
construção de protagonismos, entender como neles são construídas novas e
diferentes pedagogias, e a partir disso fortalecer interações e cooperações
entre escola/comunidade.
Quem domina o conhecimento, acaba
também por controlar os meios de expressão e de criação. Então fortalecer os
espaços da comunidade significa socializar ferramentas de construção de futuro.
Descobrir como essas comunidades
se organizam, aprendem , se relacionam, é essencial para a construção de uma
estratégia e de um método onde a proposta da relação solidária seja meio para
que a comunidade se perceba e tenha domínio de sua história e de sua cultura. É
a partir da riqueza disponível no território, seja esta organismos, pessoas,
saberes ou bens materiais/ imateriais, que ocorre a mobilização para uma
educação libertária e que só se dá efetivamente no coletivo e em determinados
espaços.
Que espaços são esses e como se
utilizam da memória, da oralidade, dos costumes, da língua, para terem,
verdadeiramente, conhecimento de sua história, domínio de seu presente e serem
responsáveis por seu futuro? Que apelos os permitem trabalhar com diferentes
atores buscando uma identidade que os una e os façam participar e lutar por
melhoria de vida? Como que mesmo com escassos recursos financeiros, se
apropriam dos recursos culturais e patrimoniais da comunidade, individual e
coletivamente, e os transformam em matéria prima para criar uma nova pedagogia?
(Pat)
De acordo com Todorov (2008, p.20)
“a vida em sociedade impõe a aprendizagem
da reciprocidade”, e é exatamente isso que está faltando nos educadores, a
humildade para fazer trocas recíprocas e aceitar que saberes da rua, também são
importantes para a construção da sociedade e que não são meramente objetos de
estudo.
Essa reciprocidade é visível em
espaços onde um bem comum, um interesse maior é construído pelo coletivo, que
pode ser dentro dos movimentos socias ou até em grupos que visam uma economia
solidária. (Ju)
Assim, a economia solidária
adquire uma dimensão maior, quando nestes espaços são compartilhados os saberes
da produção. O intuito deveria ser a possibilidade de todos evoluírem juntos.
Nas relações de trabalho onde a equidade é um valor, as trocas são mais
efetivas e a aprendizagem passa a ser extremamente significativa.
Pode-se trazer como exemplo o
caso de uma confecção da moda feminina, cooperativa de modelistas e
costureiras. O conhecimento/saber necessário para executar o trabalho
ultrapassa o simples costurar, a modelagem exige conhecimentos de matemática,
embora o trabalhador em geral não tenha noção de geometria plana ou espacial,
consciente.
Esse é mais um dos pontos
trazidos para reforçar a idéia de que a aprendizagem nesses espaços é um saber significativo e de
extremo valor para a evolução da sociedade como um todo. A maneira como o homem
produz a riqueza e como se relaciona com o trabalho é determinante no modo de
produção do Estado. Segundo Martins (2011, p.104), “A coisificação das relações sociais promove a alienação do homem em
relação à sua obra, faz com que apareça como coisa e objeto, e não sujeito de
sua própria obra.”
O grande desafio é transformar a
velha forma de produção em um meio partícipe de sobrevivência, onde o
trabalhador seja quem pratica a ação, sujeito da sua história e não objeto,
mero espectador. A práxis exige rigor epistemológico, trocas sistemáticas, não
existe a possibilidade de se obter um resultado satisfatório quando não existe
o comprometimento com a realidade posta.
Paulo Freire dizia que ninguém é
uma tabula rasa, portanto respeitar os saberes do trabalhador é condição sine qua non para que o processo de
ensino-aprendizagem se estabeleça. Desta maneira, seriam utilizados na prática todo
e qualquer conhecimento já experimentado ou vivenciado e, assim, haveria uma
contribuição efetiva para o desenvolvimento do coletivo. (MC)
O ser humano apropria-se
do conhecimento de diversas maneiras e, cada indivíduo tem na sua peculiaridade
um mecanismo de como reter este saber, esta-se dizendo com isso que a memória
está intimamente ligada com as conexões feitas ao longo deste processo, ou
seja, memória e educação fazem parte da identidade de cada um de nós.
Voltando à questão da cooperativa de modelistas e costureiras. A
moda é cíclica e o passado histórico é uma fonte de inspiração. Por esta razão,
quando fala-se de recursos patrimoniais e culturais, não se pode esquecer as
partes que compõem o todo. A indumentária é parte integrante da história e da cultura
de um povo, reflete a sua identidade. Segundo Morin (2000, p.52),
“O homem
somente se realiza plenamente pela cultura e na cultura. Não há cultura sem
cérebro humano (aparelho biológico dotado de competência para agir, perceber,
saber, aprender), mas não há mente (mind), isto é, capacidade de consciência e
pensamento, sem cultura”
(Seria necessário voltar a questão?
Parece sanada anteriormente ...JU.)
Portanto,
todo processo educativo passa por questões de cunho ideológico e está
intimamente relacionado à memória histórica. O desenvolvimento sócio-econômico
da civilização é resultado de uma eterna luta de classes.Os movimentos sociais têm
o intuito de promover a melhoria de vida do coletivo através da economia
solidária ou de associações de classe e, são responsáveis pela luta das classes
menos privilegiadas, assim como, pelo reconhecimento do homem como agente
integrante do processo produtivo. (MC)
Os
movimentos sociais fazem parte do processo de conhecimento e estão inseridos
dentro de uma educação ampliada, de uma Educação Não Formal, onde todos os
sujeitos que estão presentes praticam ações coletivas em busca de um ideal
comum. A solidariedade social e coletiva se impõe sob o individual e esse se
correlaciona com o coletivo, pois a vontade de um torna-se a vontade de todos
e, por conseguinte, todos são agentes do processo de construção do saber.
Nesses
espaços, há um
processo educativo, valores e culturas próprias de pertencimentos e sentimentos
repassados de uma geração para outra, onde se compartilha as experiências
e ações coletivas, trabalhando com a idéia de emancipação e autonomia dos
indivíduos, vistos como sujeitos de construção de saberes e do próprio processo
de conhecimento.
Os
indivíduos que constituem os mais diversos movimentos sociais e populares
apresentam uma aprendizagem política dos seus direitos enquanto cidadãos;
exercitam e aprendem práticas que os capacitam a se organizarem com objetivos
comunitários que são voltados para a solução de problemas coletivos cotidianos.
Além disso, também proporcionam a aprendizagem de conteúdos a
fazer uma leitura de mundo do ponto de vista de entender o que se passa ao seu
redor como a educação desenvolvida na mídia e pela mídia, em especial a
eletrônica presente nas redes sociais.
Segundo,
Gohn (2001) a transmissão de informação e a formação política e sociocultural
são metas na Educação Não Formal existente nos movimentos sociais que prepara
os cidadãos, educa o ser humano para a civilidade, para a solidariedade, em
oposição à barbárie, ao egocentrismo, ao individualismo, entre outros.
A
Educação Não Formal atua sobre aspectos subjetivos dos grupos, trabalha e forma
a cultura política de um grupo; desenvolve laços de pertencimento, ajuda na
construção da identidade coletiva do grupo, pode colaborar para o
desenvolvimento da auto-estima, se fundamenta no critério da solidariedade e
identificação de interesses comuns e é parte do processo de construção da
cidadania coletiva e pública do grupo.
Os
ideais partem através de um desejo em comum, de algo que um grupo, uma parte da
sociedade quer e não se encontra disponível a todos, os movimentos sociais e
populares sempre foram presentes em todo o decorrer da história desde que o
homem iniciou a divisão do trabalho.
Os movimentos sociais ou populares são
constituídos de ideais revolucionários, reformistas ou conservadores, ou seja,
buscam a transformação, a mudança ou a manutenção de algo que uma parcela da
sociedade almeja e reivindicam através de protestos, denúncias, plebiscitos,
passeatas, greves, ocupações de prédios, terras, entre outros. Antes os
movimentos se faziam ouvir em praça ou ato público, atualmente temos as redes
sociais que se fazem presente em escala mundial, à mídia ajuda ou ofusca os
objetivos reais de com certo movimento e isso fez com que os movimentos sociais se reciclassem, se
remodelassem, mudando suas táticas, suas estratégias.
Entretanto,
apesar da remodelagem dos movimentos sociais, seus elementos são considerados
como fontes de inovações e de mudanças sociais, por essa razão eles detêm um
saber próprio que é originado, através da lida quotidiana e podem ser
apropriados e transformados em forças produtivas, em trabalho. Os caracteres
que se constituem nos movimentos sociais se apresentam como necessidades,
carências, desafios, obstáculos ou ações empreendedoras a serem realizadas que
são construídos no processo, conforme as necessidades do grupo.
Há um
elemento importante a ser destacado nos movimentos é a motivação das pessoas
participantes que é dinâmica e tem um caráter humanista, além de existir a
intencionalidade no processo onde há percursos, metas e objetivos que podem se
alterar conforme as circunstâncias, pois o dinamismo, as mudanças, o movimento
da realidade que é espiral e de acordo com o desenrolar dos acontecimentos, com
os imprevistos e os improvisos no meio do caminho constituem o modelo da
Educação Não Formal que há nos movimentos sociais, populares e em todos os
meios sociais em que a aprendizagem seja autônoma, solidária e participativa. (Dircéia, creio que dá para
recortar um pouco este parágrafo...O que achas? JU )
O meio
social em que se vive é coberto de significados culturais, mas esses
significados somente serão apropriados com a participação e participar é
um processo dinâmico, interativo de aprendizagem que se constrói com a
convivência em grupo. (Dirceia)
Na Escola Estadual de Ensino Médio Nova
Sociedade, ligada ao MST e localizada no
assentamento Itapuí, na zona Rural do município de Nova Santa Rita, no Rio
Grande do Sul. É uma escola pública, com
a participação da comunidade na sua gestão e orientada pela Pedagogia do
Movimento. Os educandos da escola são crianças, adolescentes, jovens e adultos,
são do campo e do MST, assentados nas
proximidades da escola.
A referida escola é regida por
princípios filosóficos e pedagógicos vinculados à Pedagogia do MST e aos
Princípios e Diretrizes da Educação Pública Estadual, buscando desenvolver uma
educação como processo do ser humano, abrangendo o conhecimento científico com
conteúdos socialmente significativos e voltados para o campo e a construção da
memória dos valores humanistas de forma participativa e igualitária.
Segundo Caldart
(2000, p.27),
O processo de formação humana
vivenciado pela coletividade Sem Terra em luta, é a grande matriz para pensar
uma educação centrada no desenvolvimento
do ser humano, e preocupada com a formação de sujeitos da transformação
social e da luta permanentemente por dignidade, justiça, felicidade.
Por isso, na
escola se busca refletir sobre o conjunto de práticas que fazem dia-a-dia dos
Sem Terra, e extrair delas lições de pedagogia, que permitam qualificar nossa
intencionalidade educativa.
Parte da realidade e da cultura
organiza-se coletivamente buscando a cooperação da comunidade escolar,
desenvolvendo e incentivando os valores humanistas e resgatando a dignidade da
pessoa humana.
Realidade é o meio em que vivemos. É
tudo aquilo que fazemos, pensamos, dizemos e sentimos da nossa vida prática. È
o nosso trabalho. È a nossa organização. È a natureza que nos cerca. São asa
pessoas e o que acontece com elas. São os nossos problemas do dia a dia e
também os problemas da sociedade que se relacionam com a nossa vida pessoal e
coletiva. (CALDART,1999, p.31)
A proposta de educação do MST foi constituída por
meio de cooperação, entre alunos, professores e lideranças do movimento.
A investigação do pensar do povo não
pode ser feita sem o povo, mas com ele, como sujeito do seu pensar. E seu
pensar é mágico ou ingênuo, será pensado seu pensar, na ação, que ele mesmo se
superará. E a superação não se faz no ato de consumir idéias, mas no de
produzi-las e de transformá-las na ação e na comunicação (FREIRE, 1987, p.101).
Essa Proposta envolve os seguintes fatores: (1) A
escola de assentamento deve preparar as crianças para
o trabalho no
meio rural;(2) A escola deve
capacitar para a cooperação;(3)A direção da escola deve ser coletiva e
democrática; (4) A escola deve refletir e qualificar as experiências de trabalho
produtivo das crianças do assentamento;
(5) A escola deve ajudar no desenvolvimento cultural dos assentados; (6) O
ensino deve partir da prática e levar ao conhecimento científico da realidade;
(7) O coletivo da escola deve se preocupar com o desenvolvimento pessoal de
cada aluno; (8) O professor tem que ser militante; (9) A escola deve ajudar a
formar militantes e exercitar a mística da luta popular; (10) A escola também é
lugar de viver e refletir sobre uma nova ética.
Freire (1983, p.35) diz que “Quando o
homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa
realidade e procurar soluções”. (Michele)
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CALDART, Roseli Salete. Escola
é mais do que Escola na Pedagogia do Movimento Sem Terra. Porto Alegre:
UFRGS, 1999.
_______. Educação em movimento - Formação de
educadoras e educadores no MST. Petrópolis: Vozes, 1997.
_______. O MST e a formação dos Sem Terra: O Movimento
Social como princípio educativo. In: GENTILI, P. e FRIGOTTO, G. (Orgs.) A
cidadania negada; políticas de exclusão na educação e no trabalho. 2. ed.
São Paulo: Cortez, 2001.
_______. Pedagogia do Movimento Sem Terra. Petrópolis:
Vozes, 2000.
FREIRE,
P. R. Educação e mudança. 8.ed.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
______________Pedagogia do Oprimido. 25.
ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
TODOROV,
Tzvetan. La vida em
común. Ensayo de antropologia general. 1. ed.,Buenos
Aires: Aguilar, Altea, Taurus, Alfaguara, 2008
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