terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tarde de chuva e soluções midiáticas

Agradeço à Aline que neste momento acabou com a imposibilidade minha de postar opiniões e ou outras futilidades que possam contribuir com a discussão que aqui se tratam.
A cooperação enquanto ação coletiva constitui um processo entre iguais?
A cooperação têm diferentes conceitos de acordo com os espaços de sua prática?
Assuntos como a democracia, direito a verdade dependem de que tipos de cooperação?
A cooperação constitui-se alternativa para solução de probelmas, impossíveis na individualidade?
Gilson

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Temos a faca, o queijo e o coração nas mãos.
"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos".
Charles Chaplin


Solidariedade? Diz Émile Durkheim que para entender ou conceituar solidariedade é preciso analisar uma sociedade a partir de um espaço e de um tempo e reconhecer qual o grau de consciência coletiva e individual deste grupo. Aqui é bom dizer que solidariedade, para ele, é os laços que nos prendem uns aos outros e nos permitem viver em sociedade.

Segundo este teórico, sociedades menores, onde o sentimento de pertencimento e identidade são maiores, maior a solidariedade deste grupo, de onde se conclui que em sociedades maiores, o grau de solidariedade é inversamente proporcional ao seu tamanho.

Confesso que fiquei por vários dias pensando o que escrever, ou como escrever partindo do texto sugerido e buscando entender, em minha consciência individual e também coletiva, uma forma de expressar o que eu entendo e como vejo a solidariedade nos dias de hoje. Até onde a expressamos e até por onde a reconhecemos como um sentimento, ou um dever a cumprir.

Saí dos livros e fui para o campo...fui para as praças...fui para as ruas. Situei-me. Vivo numa cidade grande, num estado que busca o crescimento, num país que emergiu. No campo encontrei uma luta de classe, uma luta pela terra. Mais do que isso, uma luta pela dignidade humana. Nas praças vi diversos movimentos e bandeiras buscando um mundo melhor, com menos corrupção e maior igualdade de possibilidades. Nas ruas, vi pessoas apressadas, correndo contra o tempo e trabalhando mais para terem mais e mais.

Em todos esses espaços, percebi que solidariedade é um sentimento e é inerente ao ser humano. No campo, o que os mantêm unidos e cada vez mais fortes (embora a mídia diga o contrário) é o desejo de uma transformação, não somente a partir da posse da terra, mas do que dela brotar. Nas praças, o movimento pelo fim da corrupção e a busca por um mundo melhor é a prova de que temos a capacidade de olhar o outro como igual, enquanto ser, e por ele, mesmo sem o conhecermos, lutar. Afinal, o fim da corrupção traria melhorias e divisas a todos os brasileiros e não somente para aqueles que lá estão.

E as ruas, o que refletem? O que estas pessoas apressadas, e aparentemente sós, nos mostram? Aqui, desviei meu olhar para os muros e para os processos de educação. Um muro de uma escola, na cidade de SP, amanheceu pichado com a seguinte frase: "Vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas". Esta escola tem em sua proposta pedagógica o ensino anti-racismo, ou seja, busca despertar em seus alunos o sentimento de igualdade e não superioridade entre as raças.

Ruben Alves nos diz: Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente…Então posso dizer: se somos por natureza solidários, o que nos falta para despertar esse sentimento?Que padrões precisamos romper? ...E se em nossas escolas e nos demais espaços onde se dá a educação, ultrapassássemos a barreira do tecnicismo, da educação competitiva, deixando de "instrumentalizar" para a solidariedade, a despertaríamos ?

Ao “Instrumentalizar” nos utilizamos de palavras e teorias para falar da necessidade de sermos solidários, e esquecemos que, em contrapartida, a vida real vende o outro como rival, como inimigo. E vai além, diz que esse outro pode te destruir e te aniquilar, sugerindo então que o façamos antes.

Está na hora de pensarmos uma educação, onde a prática possa adentrar num tempo e num espaço de trocas. É preciso relações onde não mais sufoquemos a amorosidade e que não mais tenhamos a necessidade de explicar o porquê de sua importância, mas onde a solidariedade seja um desejo brotando naturalmente e que resista a todas as tentativas de desumanizar homens, mulheres e crianças.

Não temos a obrigação de sermos solidários. Não vendamos isso. Temos, sim, o desejo. É isso que nos torna humanos. Então sensibilizemos o olhar. No passado, a escola Peripatética ensinava ao ar livre. Nos dias de hoje, somos livres para voar e ir onde quisermos sem sair do lugar. Usemos os recursos disponíveis e socializemos as práticas solidárias e que acreditam na utopia de um novo mundo, e não somente na possibilidade de solidariedade para com os iguais, mas também com os diferentes. Aquela que não vê cor, raça, sexo e nem religião.

Vamos re-descobrir que “Pela magia do sentimento de solidariedade meu corpo passa a ser morada do outro” (Rubens Alves), e o sendo, posso entendê-lo em seus anseios, aspirações e também em sua lógica. Utopia? Tenho fé na vida, fé no homem e fé no que virá... Vamos lá fazer o que será??!!!

Patrícia Berg

Encontro presencial 25/10/11

Pessoas, aula presencial na próxima terça-feira à tarde, 14h, FACED!!!! Avisar os demais colegas para termos certeza de que a notícia chegará a tod@s!!!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Depoimento de Eduardo Galeano= Solidariedade+Amor+ Paixão+Luta+Igualdade+ Respeito à Natureza e seu Semelhante= Nascimento de um Novo Mundo Possível

Segundo o depoimento de Eduardo Galeano na Praça Catalunya em 24/05/11 postado por Luis Paulo, remete a uma solidariedade coletiva, diferente e que está em forma de embrião dentro desse nosso mundo cruel, individualista, capitalista, conforme Galeano estamos vivendo “em um mundo infame, mas existe outro mundo na barriga deste”. Isto quer dizer que existe esperanças de um mundo melhor, mas esse é de parto difícil, complicado. Entende-se que para se conseguir algo é preciso lutar, acreditar e ter esperança, no entanto não conseguimos isso sozinho, por isso os indivíduos têm que se unir a uma causa comum e isso já estão acontecendo através das lutas, manifestos, protestos da população contra o poder vigente. É a sinalização da existência de algo melhor do que a sociedade capitalista pode nos proporcionar. Outra sociedade pulsa dentro dela e quer sair. Esse desejo de nascer, de pulsar, de desabrochar para a vida mostra-se presente nos questionamentos, nas manifestações, nas lutas constantes, almejando um mundo melhor e urgente, sedento de paz, de fraternidade, de igualdade, de justiça, de harmonia. Devemos seguir esses ideais, essa luta e não se preocupar com o depois, mas sim fazer a diferença no aqui, no agora e viver apaixonadamente com toda vivacidade e força. Eduardo Galeano cita parte do soneto de fidelidade de Vinícius de Morais, dando a entender que devemos nos entregar as paixões da vida, de viver o momento, isso é o que importa é amar e que se ame muito e que seja “infinito enquanto dure”.

No entanto, os detentores do capital que após todas as crises econômicas, sempre ganham com a ruína dos desprivilegiados. Não há castigo, não são presos os que promovem e provocam a crise no mundo. Entretanto são presos os desprivilegiados, os miseráveis, os invisíveis que vivem a margem da sociedade e quando fazem algo fora da lei para sobreviver são enquadrados como infratores, ladrões e marginais. O mundo capitalista é um mundo às avessas, um mundo mesquinho e cruel, não é um mundo possível. Há outro mundo que nos espera e ele dá visibilidade nas manifestações, nas lutas, nos sonhos, nos ideais em comum. Esse mundo está em gestação e a esperança de ele nascer está depositada nas gerações futuras, as quais se encontram em processo de desenvolvimento da consciência política e coletiva. Procuram a Democracia, mas a Democracia em seu estado puro, não dessa democracia manipulada pelos detentores do capital.

O sentido da vida, da solidariedade é de lutar por um mundo melhor que faça valer a pena viver, que faça acreditar em algo melhor do que a atual sociedade capitalista nos proporciona. Devemos pensar e sentir e não separar a razão do coração, o ser humano deve agir como um todo senão ele mesmo poderá sucumbir, poderá sofrer a sua própria decadência. O homem é uma totalidade, não vive somente para suprir suas necessidades fisiológicas, ele é sexo, é emoção, é raciocínio, é sentimento, é amor. A razão quando impera sozinha no indivíduo é um perigo é como capital acumulado e livre e, é pior que um animal selvagem livre. O dinheiro livre trouxe as piores catástrofes da humanidade. O fundamental é as pessoas serem livres e plenamente conscientes de que somos parte da natureza e devemos obedecer à natureza da qual fazemos parte. Todavia, o homem dominou a natureza, não a respeitou, modificou-a e a obrigou a lhe servir, mas não pensou que também faz parte da natureza, conforme Engels a composição do ser humano “de carne, sangue e cérebro pertence à natureza” está em seu interior. Conhece o seu domínio sobre ela e sabe do conhecimento de suas leis e da maneira adequada para aplicar, mas está cego em busca do dinheiro livre, do capital acumulado, da exploração de seu próprio semelhante e se esquece de está manipulando, matando e prejudicando aquilo que faz parte de si. Esquece que deixará um legado às próximas gerações, mas que esse não seja de destruição, de radioatividade ou de escravidão de seu próprio semelhante. Por essa razão precisamos de um novo mundo mais solidário, mais justo, mais fraterno, sem desigualdades, sem fome, sem exploração. Para o nascimento desse novo mundo a solidariedade deve ser a premissa maior, pois juntos podemos mudar o mundo, basta querer, lutar e ousar, seguindo as palavras do Professor Paulo “criar é resistir” ou vice-versa “resistir é criar”.

domingo, 16 de outubro de 2011

Solidariedade X Solidariedades - Solidariedade e suas distintas formas

Émile Durkheim tinha uma visão orgânico-evolucionista de sociedade onde esta evoluía e se aperfeiçoava devido às reformas constantes criadas em seu interior. Especificou e analisou a solidariedade social, colocando o homem como ser social, onde não vive sozinho e mantém laços que prendem uns aos outros. Entretanto, conforme Friederich Engels, “O papel do trabalho na transformação do macaco em homem” as raízes da solidariedade social nasceu desde o tempo em que os primatas viviam em bandos por medida de segurança e de proteção. A grande transformação ocorreu quando o primata teve que descer das árvores, assumiu a postura ereta e fez o uso contínuo das mãos, aperfeiçoando-as para a procura de alimentos. A necessidade, a sobrevivência fez com que o homem obtivesse cada vez mais o domínio da natureza e assim foi ampliando os seus horizontes. Através desse processo, predominou os casos de ajuda mútua e mostrou claramente os benefícios das atividades em grupo para cada indivíduo e aliado a isso surge à linguagem, o trabalho e a solidariedade social a qual essa última Durkheim analisa e apresenta a sua constituição através da consciência individual e da consciência coletiva. Nas sociedades simples ou em pequenos grupos o que impera é a consciência coletiva a qual é responsável pelos nossos juízos, nossos valores, pela tradição, pela história oral e comportamentos a serem seguidos. Ela é responsável e atua, às vezes com maior ou menor intensidade, nas escolhas dos indivíduos. Todavia cada indivíduo tem sua própria consciência (consciência individual), sua tomada de decisão, seu livre arbítrio, mas a consciência coletiva não deixa de ser predominante.

Seguindo a análise de Durkheim, a solidariedade social divide-se em solidariedade mecânica e solidariedade orgânica, a primeira depende da consciência coletiva, o desejo e a vontade do indivíduo são o desejo e a vontade do grupo, do coletivo, propondo uma junção, um equilíbrio social. A vontade de um é a vontade de todos, já a solidariedade orgânica está associada à divisão social do trabalho e está ligada diretamente ao desenvolvimento da sociedade capitalista com meios de produção diversificados e ampliados e entrelaçados diretamente com a produção em série. O trabalho assume aspectos diferenciados, havendo a dicotomia de trabalho manual e intelectual. O indivíduo assume funções especializadas dentro dessa divisão do trabalho e se torna cada vez mais individualista, criam-se condições de relacionamentos diferentes e o homem adquire características que destacam seu individualismo e sua personalidade. A consciência coletiva não é valorizada ao contrário da consciência individual; pilares indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade capitalista. Com esse processo desorganizou-se as condições sociais ao concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria enquanto a maioria da população fica privada de toda a propriedade dos meios de produção. Essa ausência só favorece os grandes empresários capitalistas, os banqueiros e os políticos corruptos. O trabalhador fica desprovido de quase todas as suas necessidades essenciais, ganhando apenas para sua subsistência “enquanto a riqueza se concentra mais e mais nas mãos dos que não trabalham” (Friederich Engels- O papel do trabalho na transformação do macaco em homem) dos que não produzem, apenas exploram os trabalhadores comprando sua força de trabalho a preço mínimo e assim acumulam o capital, com a mais–valia, gerada dessa exploração do trabalhador. O que impera na sociedade capitalista é a solidariedade orgânica, mas essa só é solidária com os indivíduos que são semelhantes, onde não há reciprocidade nas relações, os membros da sociedade capitalista estão unidos em virtude da divisão do trabalho social, mas essa divisão não é justa, o capitalista, dono dos meios de produção fornece o mínimo de bem estar possível ao trabalhador para utilizar a sua força de trabalho. Há o antagonismo das classes sociais, o qual Durkheim não as percebe, entretanto afirma que há uma divisão social do trabalho onde cada indivíduo ocupa um lugar na sociedade de uma maneira diferente e que as pessoas cooperam entre si, mas essa cooperação existe apenas para os semelhantes (detentores do capital), por que para a maioria dos desiguais vivem em completa privação de suas necessidades essenciais prejudicando o seu desenvolvimento.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Solidariedade


Companheiro!
                                          Maria do Carmo Vargas

Não desista da luta companheiro, é longa a caminhada,
precisamos estar juntos, para enfrentarmos a jornada.
Do contrário, tenha certeza, nos encontraremos na encruzilhada.
Quando menos esperarmos, a luta estará travada,
e aos bons companheiros, a fuga será negada.
Sejamos breves, pois o nosso ideal já se fez valer
e a cada entardecer, quando o sol se recolher ,
você, meu querido companheiro, já terá feito,
um novo mundo renascer.

SOLIDARIEDADE

Colegas,

Encaminho para vocês um depoimento do Eduardo Galeano na praça Catalunya, 24/05/11. Acho que é um vídeo interessante para "provocar" essa discussão sobre Solidariedade.

http://www.youtube.com/watch?v=mdY64TdriJk&feature=results_main&playnext=1&list=PL84F20A48C97CC9CB

Luis Paulo

Solidariedade e Divisão do Trabalho

 

Não há como falar de solidariedade sem trazer à luz o Funcionalismo. Para os funcionalistas a sociedade era vista como um organismo vivo, onde cada membro era representado por um órgão e tinha uma função específica.
Assim sendo, fica evidente que para manter a saúde de um organismo é necessário que todos os órgãos estejam trabalhando em plena harmonia e equilíbrio. Marx já conclamava a união dos trabalhadores com o objetivo de vencer a exploração do homem pelo homem.
A solidariedade está intimamente ligada ao sentimento de cooperativismo, ou seja, ao compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma a todas, assumindo, desta maneira, a responsabilidade por um objetivo comum.
De acordo com Durkheim, “[...] Com efeito, é da natureza das tarefas especiais escapar a ação da consciência coletiva; porque, para que uma coisa seja objeto de sentimentos comuns, a primeira condição é que ela seja comum, isto é, que esteja presente em todas as consciências e que todas possam representá-las de um único ponto de vista[...]” (1988, pg.80).

Quando não existe consciência coletiva, a solidariedade deixa de existir. Portanto, não há como compartilhar objetivos comuns, quando o individual prevalece e as minorias são privilegiadas.


           Maria do Carmo



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Solidariedades....\email recebido do Roberto

Colegas,

Segue links do Blog da ocupação do MST em Viamão, Vacaria e Sananduva,  que contem informações quase diárias do que está acontecendo nestas ocupações. Também seguem links do video que produzimos e do vídeo produzido pelo compas da Catarse sobre a ocupação. O que puderem divulgar será sempre importante para a luta.

abs
Roberto

Links:


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Solidariedades


A proposta de refletir sobre – Re-emergência  das solidariedades nos processos econômicos associativos periurbanos: memória e educação associativa - torna-se viável quando a proposta encontra a disponibilidade de um grupo que busca o diálogo entre educadores e educandos, ou antes, entre os conhecimentos/saberes existentes no grupo para cotejá-los com aqueles conhecimentos ditos científicos e/ou os conhecimentos de senso comum.
Após termos conversado e blogado sobre a questão das emergências-reemergências, avançaremos agora para a solidariedade.
Significado de Solidariedade
Dependência mútua entre os homens.
Sentimento que leva os homens a se auxiliarem mutuamente.
Relação mútua entre coisas dependentes.
Direito Compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas pelas outras.

Frases sobre solidariedade
Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual.Pierre Nouy

Entendo que solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas.Augusto Cury

"Ser solidário com Deus é saber procurar o Pai no silencio do coração,e quando senti-lo plenamente guardar a paz para depois oferecê-la aos sofredores do caminho".Mahatma Gandhi

Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade.
Cora Coralina

Nunca compreendi a solidariedade. Aceitei-a como artigo de fé tradicional. Se tivéssemos coragem de a afastar completamente, livrar-nos-íamos do peso que incomoda a nossa personalidade.Henrik Ibsen

"Está se sentindo vazio?Preencha esse espaço com solidariedade.Saia desse buraco.Há muita gente precisando de você."Gabriel Chalita

 “Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.”Bezerra de Menezes

Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.Gabriel Garcia Marquez

Você vai longe na vida na medida em que for afetuoso com os jovens, piedoso com os idosos, solidário com os perseverantes e tolerante com os fracos e com os fortes.Porque, em algum momento de sua vida, você terá sido todos eles.George W. Carver

SOLIDARIEDADE
Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança. Murilo Mendes

IMAGENS SOLIDARIEDADE

mulher, em, a, homossexual, Orgulho, 2011, Genebra, Suíçamão, sinais, vetorial, Ilustraçãounidade, -, equipe, trabalhos, junto, Para, elevador...



TEXTO PARA REFLEXÃO SOBRE SOLIDARIEDADE

Émile Durkheim: os tipos de solidariedade social

Ao se debruçar sobre o estudo da sociedade industrial do século XIX, Émile Durkheim percebeu a importância de se compreender os fatores que explicariam a organização social, isto é, compreender o que garantia a vida em sociedade e uma ligação (maior ou menor) entre os homens. Chegou à conclusão de que os laços que prenderiam os indivíduos uns aos outros nas mais diferentes sociedades seriam dados pela solidariedade social, sem a qual não haveria uma vida social, sendo esta solidariedade do tipo mecânica ou orgânica.

Mas o que seria a solidariedade social? Para compreendê-la é preciso levar em consideração as ideias de consciência coletiva (ou comum) e consciência individual, também estudadas por esse autor. Cada um de nós teria uma consciência própria (individual) a qual teria características peculiares e, por meio dela, tomaríamos nossas decisões e faríamos escolhas no dia a dia. A consciência individual estaria ligada, de certo modo, à nossa personalidade. Mas a sociedade não seria composta pela simples soma de homens, isto é, de suas consciências individuais, mas sim pela presença de uma consciência coletiva (ou comum). A consciência individual sofreria a influência de uma consciência coletiva, a qual seria fruto da combinação das consciências individuais de todos os homens ao mesmo tempo. A consciência coletiva seria responsável pela formação de nossos valores morais, de nossos sentimentos comuns, daquilo que temos como certo ou errado, honroso ou desonroso e, dessa forma, ela exerceria uma pressão externa aos homens no momento de suas escolhas, em maior ou menor grau. Ou seja, para Durkheim a consciência coletiva diria respeito aos valores daquele grupo em que se estaria inserido enquanto indivíduo, e seria transmitida pela vida social, de geração em geração por meio da educação, sendo decisiva para nossa vida social. A soma da consciência individual com a consciência coletiva formaria o ser social, o qual teria uma vida social entre os membros do grupo.

Assim, podemos afirmar que a solidariedade social para Durkheim se daria pela consciência coletiva, pois essa seria responsável pela coesão (ligação) entre as pessoas. Contudo, a solidez, o tamanho ou a intensidade dessa consciência coletiva é que iria medir a ligação entre os indivíduos, variando segundo o modelo de organização social de cada sociedade. Nas sociedades de organização mais simples predominaria um tipo de solidariedade diferente daquela existente em sociedades mais complexas, uma vez que a consciência coletiva se daria também de forma diferente em cada situação. Para compreendermos melhor, basta uma simples comparação entre sociedades indígenas do interior do Brasil com sociedades industrializadas como as das regiões metropolitanas das principais capitais. O sentimento de pertencimento e de semelhança é muito maior entre os índios ao redor de um lago quando pescam do que entre os passageiros no metrô de São Paulo ao irem para o trabalho pela manhã. Dessa forma, segundo Durkheim, poderíamos perceber dois tipos de solidariedade social, uma do tipo mecânica e outra orgânica.

Numa sociedade de solidariedade mecânica, o indivíduo estaria ligado diretamente à sociedade, sendo que enquanto ser social prevaleceria em seu comportamento sempre aquilo que é mais considerável à consciência coletiva, e não necessariamente seu desejo enquanto indivíduo. Conforme aponta Raymond Aron em seu livro As etapas do pensamento sociológico (1987), nesse tipo de solidariedade mecânica de Durkheim, a maior parte da existência do indivíduo é orientada pelos imperativos e proibições sociais que vêm da consciência coletiva.

Segundo Durkheim, a solidariedade do tipo mecânica depende da extensão da vida social que a consciência coletiva (ou comum) alcança. Quanto mais forte a consciência coletiva, maior a intensidade da solidariedade mecânica. Aliás, para o indivíduo, seu desejo e sua vontade são o desejo e a vontade da coletividade do grupo, o que proporciona uma maior coesão e harmonia social.

Este sentimento estaria na base do sentimento de pertencimento a uma nação, a uma religião, à tradição, à família, enfim, seria um tipo de sentimento que seria encontrado em todas as consciências daquele grupo. Assim, os indivíduos não teriam características que destacassem suas personalidades, como apontamos no exemplo dado em relação à tribo indígena, por se tratarem de uma organização social “mais simples”.

Na construção de sua teoria, Durkheim também demonstrou como seriam as características gerais das sociedades de solidariedade do tipo orgânica. Para tanto, seria necessário compreendermos antes de tudo a ideia de divisão do trabalho social. Ao passo que o capitalismo se desenvolve e a produção em larga escala começa, os meios de produção foram se ampliando e requerendo cada vez mais funções especializadas. Além disso, e mais importante, as relações interpessoais necessárias à vida conforme aumentavam. Ampliava-se, dessa forma, a divisão do trabalho social, consequência do desenvolvimento capitalista, o que daria condições para o surgimento das sociedades com solidariedade do tipo orgânica.

Na solidariedade orgânica, ainda segundo Aron, ocorre um enfraquecimento das reações coletivas contra a violação das proibições e, sobretudo, uma margem maior na interpretação individual dos imperativos sociais. Na solidariedade orgânica ocorre um processo de individualização dos membros dessa sociedade, os quais assumem funções específicas dentro dessa divisão do trabalho social. Cada pessoa é uma peça de uma grande engrenagem, na qual cada um tem sua função e é esta última que marca seu lugar na sociedade. A consciência coletiva tem seu poder de influência reduzido, criando-se condições de sociabilidade bem diferentes daquelas vistas na solidariedade mecânica, havendo espaço para o desenvolvimento de personalidades. Os indivíduos se unem não porque se sentem semelhantes ou porque haja consenso, mas sim porque são interdependentes dentro da esfera social.

Não há uma maior valorização daquilo que é coletivo, mas sim do que é individual, do individualismo propriamente dito, valor essencial – como sabemos – para o desenvolvimento do capitalismo. Contudo, apenas enquanto observação, é importante dizer que, ainda que o imperativo social dado pela consciência coletiva seja enfraquecido numa sociedade de solidariedade orgânica, é preciso que este mesmo imperativo se faça presente para garantir minimamente o vínculo entre as pessoas, por mais individualistas que sejam. Do contrário, teríamos o fim da sociedade sem quaisquer laços de solidariedade.

Diferenças à parte, podemos afirmar que tanto a solidariedade orgânica como a mecânica têm em comum a função de proporcionar uma coesão social, isto em uma ligação entre os indivíduos. Em ambas existiram regras gerais, a exemplo de leis sobre direitos e sanções. Enquanto nas sociedades mais simples de solidariedade mecânica prevaleceriam regras não escritas, mas de aceitação geral, nas sociedades mais complexas de solidariedade orgânica existiriam leis escritas, aparatos jurídicos também mais complexos. Em suma, Émile Durkheim buscou compreender a solidariedade social (e suas diferentes formas) como fator fundamental na explicação da constituição das organizações sociais, considerando para tanto o papel de uma consciência coletiva e da divisão do trabalho social.

Paulo Silvino Ribeiro
Colaborador Brasil Escola
Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
Mestre em Sociologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
Doutorando em Sociologia pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas