Émile Durkheim tinha uma visão orgânico-evolucionista de sociedade onde esta evoluía e se aperfeiçoava devido às reformas constantes criadas em seu interior. Especificou e analisou a solidariedade social, colocando o homem como ser social, onde não vive sozinho e mantém laços que prendem uns aos outros. Entretanto, conforme Friederich Engels, “O papel do trabalho na transformação do macaco em homem” as raízes da solidariedade social nasceu desde o tempo em que os primatas viviam em bandos por medida de segurança e de proteção. A grande transformação ocorreu quando o primata teve que descer das árvores, assumiu a postura ereta e fez o uso contínuo das mãos, aperfeiçoando-as para a procura de alimentos. A necessidade, a sobrevivência fez com que o homem obtivesse cada vez mais o domínio da natureza e assim foi ampliando os seus horizontes. Através desse processo, predominou os casos de ajuda mútua e mostrou claramente os benefícios das atividades em grupo para cada indivíduo e aliado a isso surge à linguagem, o trabalho e a solidariedade social a qual essa última Durkheim analisa e apresenta a sua constituição através da consciência individual e da consciência coletiva. Nas sociedades simples ou em pequenos grupos o que impera é a consciência coletiva a qual é responsável pelos nossos juízos, nossos valores, pela tradição, pela história oral e comportamentos a serem seguidos. Ela é responsável e atua, às vezes com maior ou menor intensidade, nas escolhas dos indivíduos. Todavia cada indivíduo tem sua própria consciência (consciência individual), sua tomada de decisão, seu livre arbítrio, mas a consciência coletiva não deixa de ser predominante.
Seguindo a análise de Durkheim, a solidariedade social divide-se em solidariedade mecânica e solidariedade orgânica, a primeira depende da consciência coletiva, o desejo e a vontade do indivíduo são o desejo e a vontade do grupo, do coletivo, propondo uma junção, um equilíbrio social. A vontade de um é a vontade de todos, já a solidariedade orgânica está associada à divisão social do trabalho e está ligada diretamente ao desenvolvimento da sociedade capitalista com meios de produção diversificados e ampliados e entrelaçados diretamente com a produção em série. O trabalho assume aspectos diferenciados, havendo a dicotomia de trabalho manual e intelectual. O indivíduo assume funções especializadas dentro dessa divisão do trabalho e se torna cada vez mais individualista, criam-se condições de relacionamentos diferentes e o homem adquire características que destacam seu individualismo e sua personalidade. A consciência coletiva não é valorizada ao contrário da consciência individual; pilares indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade capitalista. Com esse processo desorganizou-se as condições sociais ao concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria enquanto a maioria da população fica privada de toda a propriedade dos meios de produção. Essa ausência só favorece os grandes empresários capitalistas, os banqueiros e os políticos corruptos. O trabalhador fica desprovido de quase todas as suas necessidades essenciais, ganhando apenas para sua subsistência “enquanto a riqueza se concentra mais e mais nas mãos dos que não trabalham” (Friederich Engels- O papel do trabalho na transformação do macaco em homem) dos que não produzem, apenas exploram os trabalhadores comprando sua força de trabalho a preço mínimo e assim acumulam o capital, com a mais–valia, gerada dessa exploração do trabalhador. O que impera na sociedade capitalista é a solidariedade orgânica, mas essa só é solidária com os indivíduos que são semelhantes, onde não há reciprocidade nas relações, os membros da sociedade capitalista estão unidos em virtude da divisão do trabalho social, mas essa divisão não é justa, o capitalista, dono dos meios de produção fornece o mínimo de bem estar possível ao trabalhador para utilizar a sua força de trabalho. Há o antagonismo das classes sociais, o qual Durkheim não as percebe, entretanto afirma que há uma divisão social do trabalho onde cada indivíduo ocupa um lugar na sociedade de uma maneira diferente e que as pessoas cooperam entre si, mas essa cooperação existe apenas para os semelhantes (detentores do capital), por que para a maioria dos desiguais vivem em completa privação de suas necessidades essenciais prejudicando o seu desenvolvimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário