quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pessoal, juntei os textos da Patrícia, Maria C e o meu e acrescentei mais um pouco, não consegui utilizar o da Mara, deixei minha contribuição em azul, com direito a risco e rabiscos!!! Ah,  não mexi no título, pois não consegui pensar nenhum samba enredo que vá ao encontro do nome do nosso seminário. hihihihihih




Re-inventar ...( o título colocamos no final...risquei a regra que diz que devemos começar por ele).

Da sala de aula até a porta de saída do prédio existe um tempo e um espaço onde os discursos afloram. Podemos chamá-los de “discursos de corredor”. Não sei por que isso acontece,(mas acontece): eles surgem com clareza e com verdades absolutas. Neles sabemos exatamente o que queremos e buscamos, seja ao falarmos de projetos ou de referenciais e teorias.
Isso talvez aconteça porque liberamos nossa mente dos bloqueios impostos pelo formato do ambiente formal que perdura das escolas às universidades. E se isso é verdade, também é verdade que os espaços de aprendizagem precisam ser repensados, ou re-inventados para permitir a fruição da linguagem e da mente.
Partindo desse pressuposto, analisar e entender a construção do conhecimento que se dá nas ruas e nos espaços não formais de educação é elemento fundante de pesquisa para essa reinvenção.
Peguemos o exemplo da aprendizagem da língua estrangeira. Ao entrarmos em uma comunidade periurbana, onde as dificuldades e carências são evidentes, professores se deparam com uma realidade distanciada da sua e pouco fértil para criar o desejo nos alunos em aprender uma nova língua. As técnicas e os meios de ensino não estimulam o querer e não justificam sua existência. Por outro lado, para os alunos a forma é desconexa da realidade vivida.
Porém, fora da sala, se nos atentarmos e prestarmos atenção nas conversas, certamente veremos diálogos do tipo:
- E aí brother? Vamos comer um hot dog?
- Bah, never!! Tô sem money.
- No problem…I have.
Isso mostra que, para além de um conjunto de regras gramaticais e de palavras a serem memorizadas, existe um “corredor” usado como meio de aprendizagem e de troca de um sistema de códigos linguisticos, os quais dominam e dos quais se utilizam como instrumento para interagirem com o mundo.

         Quando este “corredor” está sendo utilizado como um meio, para que a  aprendizagem se estabeleça, estamos dizendo que o espaço da sala de aula não é a única possibilidade de interação com os
saberes ou signos e que existem inúmeras maneiras e sistemas, onde a troca pode ser efetiva.
            Os espaços periurbanos aparecem como fronteiras entre a cultura urbana e rural, quando na verdade já foram derrubadas. A linha que separa as civilizações do mundo moderno é muito  tênue. O acesso à informação não privilegia somente àqueles que detêm o capital, poucos não sabem o que seja hot dog ou money.
            É preciso reinventar não apenas novas formas de ensino-aprendizagem, mas uma nova forma de ver o Homem. Ter um novo olhar significa desmistificá-lo, conseguir enxergá-lo por inteiro, sem preconceitos e sem barreiras. Reinventar é superar o possível! Reinventar é lembrar e por em prática relações horizontais, onde as diversas singularidades constróem uma rica pluralidade de identidades e de saberes.
           A nova sociedade requer que além de saber conviver com as diferenças, saibamos compartilhar conhecimento/saber com quem quer que seja, independentemente do espaço social.


Todavia, a educação permanece com a velha barreira dos bancos escolares que à séculos nos persegue, precisamos parar e ter um novo olhar, assim nos depararemos com espaços  onde a aprendizagem não somente da lingua estrangeira, mas da geografia, da matemática e tantas outras disciplinas já são ensinadas e aprendidas através da convivências com  outros  integrantes da sociedade, que não necessariamente sejam profesores.
 Ter um novo olhar significa nos desprendermos dos velhos moldes que a nossa memória insiste em ficar atada  para conseguirmos então, dar um passo a frente para reinventar velhas e novas formas de aprender que perpassam por outras práticas não formais de “ensinagem”.
            Entretanto, para conseguirmos enxergar novas formas de aprender, precisamos primeiro analisar os processos solidários que permeiam as comunidades, coooperativas e tantos outros espaços  de economia solidária, onde as pessoas por terem um objetivo maior e coletivo, se ensinam uns aos outros, fortalecem e respeitam o potencial de cada um e dessa forma o envolvimento e motivação que faltam nas salas de aula formais já ocorre nesses espaços ditos (in)visíveis.
            Vivemos um tempo de re-emergência onde há um grande distanciamento da teoria e do empirismo. A escola insiste em teorizar, avaliar, ditar o certo ou o errado segundo as diferentes epistemologias, enquanto que nos espaços periurbanos o que ocorre são vivências de aprendizagem, são artefatos que foram apreendidos na práxis, são avaliações de vidas e não de estudos científicos.
            A  grande trasnformação que necessitamos nesses novos tempos, pode ser utópica,porém uma alternativa seria apanharmos a sabedoria encontrada nas ruas e  levá-la às escolas, para que assim ocorra um diálogo mais válido na educação, um diálogo, onde memórias e vivências  se unam aos estudos teóricos, para então falarmos em processos de ensino aprendizagem com propriedade.
            De acordo com Todorov (p.20, 2008)  “ a vida em sociedade impõe a aprendizagem da reciprocidade”, e é exatamente isso que está faltando nos educadores, a humildade para fazermos trocas recíprocas e aceitar que saberes da rua, também são importantes para a construção da sociedade e que não são meramente objetos de estudo.
            Essa reciprocidade é visível em espaços onde um bem comum, um interesse maior é construído pelo um coletivo, que pode ser dentro dos movimentos socias, em grupos que visam uma economia solidária ou até mesmo em grupos de vulnerabilidade social nas ruas de Porto Alegre.
 ...
Juliana Santos
            


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